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Palestra sobre os malefícios da dependência química lota auditório da Esmec

Palestra sobre os malefícios da dependência química lota auditório da Esmec

Com uma discussão acerca das políticas públicas sobre drogas e os malefícios da dependência química, teve continuidade, na manhã desta sexta-feira (06/10), na Escola Superior da Magistratura do Ceará (Esmec), o curso Direto da Infância e Juventude.

Para um auditório lotado, composto por alunos do curso e estudantes da escola estadual Dom Antonio de Almeida Lustosa, falaram a advogada e psicanalista Rossana Brasil Kopf (que também é psicanalista e coordenadora de políticas públicas do município de São Gonçalo do Amarante) e o empresário Jorge Medeiros Damasceno, que fez um relato sobre seu envolvimento com as drogas e como superou o problema. Ambos foram bastante aplaudidos.

Para Rossana Kopf, a dependência química é uma doença incurável, progressiva e fatal. E ela não se restringe às drogas ilícitas: compreende também o alcoolismo e outros males. “Apesar de não ter cura, a dependência tem tratamento. Mas é preciso que o dependente queira ser tratado. Ela não está restrita a uma classe social: atinge a todos indistintamente”, afirmou, revelando que, geralmente, a droga vem de traficantes ricos, que a repassa a vários aviões, nas classes menos favorecidas.

A palestrante disse ainda que “não temos políticas públicas sobre drogas, temos no Brasil apenas um programa pequeno de prevenção”. Para ela, somente com educação, dada pela família e nas escolas, é possível evitar que crianças e adolescentes entrem no mundo das drogas. “A educação é o único caminho que vai levar vocês para a transformação”, frisou, acrescentando que os jovens precisam também ler bastante e sempre.

  Juiz Ângelo Vettorazzi (Coordenador da Esmec), Rossana Kopf e Jorge Damasceno.

Pais e mães são fundamentais na formação desses jovens. Mas infelizmente há muitos lares desestruturados. Há também família em que o assunto droga é tabu, não se pode falar. Ao contrário disso, temos que amar os filhos da gente, porque senão que vai ‘amar’ é o traficante.”

Rossana também discordou daqueles que consideram de baixa qualidade o ensino na rede oficial: “Dizem que a escola pública não presta, mas ela presta sim, porque quem a faz somos nós, com nossos limites e nossa educação. Se o aluno é bem-educado em família, essa escola vai ser boa”.

A advogada criticou o consumismo, a banalização do uso de drogas (como maconha e bebidas alcoólicas), os efeitos maléficos da televisão e das redes sociais e a falsa ilusão dos jovens de que, ao consumirem objetos caros e fazerem uso de drogas, estão sendo modernos. “A droga não leva a sucesso nenhum. Leva somente a perdas”, resumiu.

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Um sobrevivente

Jorge Damasceno iniciou seu depoimento com palavras impactantes: “Usei drogas ilícitas por 30 anos e bebi durante 35. Mas hoje, com 57 anos, posso dizer que estou vivo e feliz. Sou um dependente químico em recuperação. Consegui sobreviver. Tenho colegas que continuaram no mundo das drogas e hoje estão à beira da morte”.

Ele explicou que não estava ali “para proibir, nem julgar ninguém. Eu gosto de sugerir, para que sua vida possa melhorar”. O empresário falou das perdas que as drogas lhe trouxeram, da importância de se procurar ajuda para sair dessa vida e, sobretudo do apoio familiar. “Respeitem sempre seu pai e sua mãe. A família é uma das coisas mais valiosas do mundo.”

Jorge é filho de Edgar Damasceno, fundador de um grupo empresarial com este sobrenome e ex-presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec). Mesmo tendo uma vida de conforto, ele se envolveu com álcool e entorpecentes, além de ter sido morador de rua. Deixou essa vida em 2005 e passou a ministrar palestras sobre os males provocados pelas drogas.

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Eventos culturais

Paralelo às palestras, estão sendo realizadas manifestações artísticas no hall de entrada da Esmec. Na manhã de hoje, houve uma apresentação de capoeiristas da comunidade do Dendê.

No encerramento do curso, às 17 horas, haverá uma apresentação musical do grupo Kebra Mola, formado por jovens do Vicente Pinzón e bairros vizinhos, sob a coordenação do músico Júnior Brasil.

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Acesso à justiça

Ainda como parte do curso, que teve início dia 29/09, na tarde de hoje o juiz da Vara da Infância e Juventude da Comarca do Crato, José Flávio Bezerra Morais, falará sobre “Acesso à Justiça e Ação Sócio-Educativa”.