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Esmec debate o legado de Marx nos 200 anos de seu nascimento

Esmec debate o legado de Marx nos 200 anos de seu nascimento

A Escola Superior da Magistratura do Ceará (Esmec) realizou, na manhã desta sexta-feira (11/05), uma mesa-redonda em comemoração aos 200 anos de nascimento de Karl Marx, filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário. Juízes, professores, estudantes e outros públicos prestigiaram as palestras.

O evento foi aberto pelo desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, Diretor da Esmec, que ressaltou a importância acadêmica da mesa-redonda, a parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor) e a excelência intelectual dos palestrantes.

O magistrado disse que “pode até ser estranho para alguns o fato da Escola promover um debate sobre o marxismo, uma vez que o Judiciário é visto por muitos como um órgão conservador”, mas em sua gestão à frente da Esmec “tem procurado abrir espaços para as mais diferentes correntes de pensamento”.

Des. Heráclito abriu o evento.

Mesmo existindo quem pense assim, isso não é empecilho para que nós possamos receber, em coparceria com a Unifor, esse evento, respeitando toda e qualquer posição política ou ideológica que as pessoas possam ter. Estamos sempre abertos ao diálogo e ao pensamento divergente. A Escola se considera um espaço plural, e promove com orgulho esse debate”, frisou o magistrado.

O primeiro tema em discussão foi “O Capital e a Crítica da Economia Política”, e ficou a cargo dos professores doutores Francisco José Soares Teixeira (Educação – UFC) e Fábio Maia Sobral (Filosofia – Unicamp).

Para Teixeira, “para que possamos ser fiel ao pensamento de Marx hoje em dia temos que deixar de ser marxistas”, ou seja, aprofundar mais os estudos sobre O Capital (principal obra o autor) e deixar de lado o que pensam alguns de seus principais seguidores.

 Professores Fábio, Teixeira e Antonio Carlos Klein.

Fábio Sobral disse que a atualidade do pensamento de Marx pode ser constatada no domínio que o dinheiro (capital), em suas diferentes formas, exerce sobre a humanidade, os governos e as organizações mais diversas. “Vivemos num mundo onde imperam as grandes corporações, o endividamento geral, a imensa financeirização do capital, o imenso desaparecimento de empregos, a precarização da mão de obra… Um quadro aterrador”, constatou.

O debate seguinte teve como tema “A Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, e ficou a cargo dos professores Manfredo Araújo de Oliveira (Doutor pela Munchem – Alemanha), Marly Soares (Doutora PUG – Roma) e Márcio Diniz (Doutor UFMG).

Segundo Manfredo, uma das diferenças entre o pensamento de Hegel e Marx é que o primeiro fazia distinção do Estado enquanto ente político e o Estado concreto. Para Marx não há essa distinção, pois esse mundo concreto é construído a partir do capital, dominado pelo Estado político. “Marx sempre viu por trás das relações econômicas as classes sociais, as relações humanas concretas.”

Manfredo Oliveira.

Esse mundo do capital é a negação da essência humana, que se exprime na propriedade privada, que nada mais é que o movimento de alienação do homem, e isso deve ser superado. No capitalismo o homem não está no centro, e sim o lucro. Dessa forma, o indivíduo não se realiza enquanto ser humano, mas somente o capitalista, detentor dos meios de produção (do capital). A solução para o fim da exploração e alienação do homem não pode partir deste Estado capitalista, como achava Hegel.”

Para o professor, “o problema fundamental levantado por Hegel e Marx que ainda persiste é a conquista da liberdade pelo ser humano, é saber que resposta a política pode dar ou não para essa questão”.

Professores Marly, Manfredo, Márcio e Klein.